Somos seres que adoramos arranjar desculpas. Procrastinar até não conseguirmos mais.
Adorava reunir forças ao domingo para ser forte o suficiente de dizer que "amanhã é que é, aproveito o facto de ser segunda e mudo tudo o que não gosto na minha vida".
Há alturas em que as desculpas são usadas em situações que, vá, até são mais ou menos aceites. Mas... quando se trata da nossa saúde, de cuidarmos de nós e de desenharmos um futuro mais risonho para a nossa vida, tudo muda de figura.
Sempre fui boa a arranjar desculpas.
Desculpava-me porque não gostava de legumes.
Desculpava-me porque não comia sopa.
Porque não conseguia sozinha.
Porque odiava fazer desporto fosse nas aulas de educação física fosse no que fosse, basicamente.
Adorava reunir forças ao domingo para ser forte o suficiente de dizer que "amanhã é que é, aproveito o facto de ser segunda e mudo tudo o que não gosto na minha vida".
Eu não devia de gostar de mim... porque adiei, adiei e adiei mais um pouco sentir o que estou a sentir, ao fim de uma semana de cuidado, foco, certeza de que estou no comboio certo.
Muitas vezes mudei de comboio, aproveitando a metáfora, saí a meio da viagem porque via que não era capaz de chegar ao fim do trajecto.
E de tantas vezes que saí e entrei em tantos comboios... já podia ter chegado e vencido.
Mas! Vou sempre a tempo.
Acabei por apanhar outro comboio, mais sólido, mais maduro, que me mostra por onde vai o caminho que eu quero para mim, nesta fase da minha vida.
Já não gostava do que via e isso só me levava a comer ainda mais.
Parei. Quis pedir ajuda e recebi apoio e motivação por parte da minha família.
Nunca me disseram que "ah, vais outra vez fazer para depois desistires?"
Não. Acreditaram em mim, como em todas as outras vezes, e isso deu-me uma força tal que ainda ando aqui de fita métrica a tentar medir tudo :P
Voltando ao raciocinio... quis pedir ajuda e o primeiro passo foi ir ao médico de família.
Com o peso que tinha já estaria indicada para iniciar o processo de colocação de algo no meu estômago. O medo e a experiência que tive com pessoas da minha família deu-me forças para contornar essa solução e querer tentar mais uma vez por mim.
Parece que foi desta.
Ainda assim, solicitei ajuda psicológica. A carta do hospital chegou... seis meses à espera.
Decidi avançar por mim.
Procurei ajuda de um personal trainner e estou, igualmente, a treinar há uma semana.
Procurei ajuda de uma psicóloga especialista em comportamento alimentar e obesidade e estou à espera de consulta para o final do mês.
Estou com os níveis de força bastante elevados e confiantes.
Estou confiante que agora vai mesmo tudo ao sítio.
Sem mais desculpas.
Guardem as desculpas numa gaveta... tragam para fora as atitudes. Vamos agir em vez de nos desculpar-mos por comermos demais e nos mexermos de menos.
Adeus desculpas, nunca mais vos deixo manipular o meu pobre cérebro ;)
Ainda estou a compor isto tudo mas... até ao próximo post!
Beijos,
Pat.

Minha querida Patrícia, a tua luta não é solitária. Tens meio mundo contigo. Se mantiveres essa atitude positiva , pensares que é um dia de cada vez, não te fixares excessivamente no mostrador da balança, mas antes no orgulho de conseguir sair da zona de conforto, de fazer o que é difícil, se te focares em somar as pequenas vitórias ( quando descobres uma forma de comer legumes que afinal até sabe bem, quando vences a tentação de atacar uma bola de Berlim...) Em vez de só pensares subtrair quilos, aos poucos vais percebendo que não é o peso que queres e estás a mudar, mas o estilo de vida. Isso faz toda a diferença. Se encarares a dieta como uma obrigação de perda de peso, será sempre algo imposto é condenado ao fracasso. Se te programares mentalmente para o bem que sabe mudar de estilo, de ritmo, de companhias até, para a maravilha que é - ao sol ou ao frio - caminhar a bom ritmo pela cidade, em vez de passar a tarde no sofá com um.pacote de bolachas, essa tua mudança será tão natural, tão fácil. É importante seres determinada. Não cedas às vozes que te desafiam aos desvios " só hoje'... O 'so hoje " passa depressa a "sempre". Descobre novos pratos que te saibam bem, nunca deixes de sentir prazer na comida, mas consciente que é um prazer diferente, natural. Muitas das coisas das quais gostamos são na verdade viciantes. aprendemos a gostar delas artificialmente ( colas, batata fritas, doces... Tudo carregado de substâncias aditivas). Maravilha te com as alternativas: batata doce " frita" no forno, pudim de chia feito com iogurte e morangos frescos... Tanta coisa boa! Não sejas radical. Como o que te fizer sentido. Há nutricionistas que retiram, por exemplo, melancia da lista de frutas. Não me parece que a frutose de uma bela talhada te dê cabo da linha... Vai, destemida e corajosa, pelos bons motivos. Faz disso uma festa, não uma obrigação. Boa sorte!
ResponderEliminarSão, só hoje consegui responder às tuas queridas e motivantes palavras! Obrigada! De coração, obrigada. Voltei a reler tudo e a coisa de que mais me tenho lembrado é a tua última frase: 'Faz disso uma festa, não uma obrigação'. Acho que desta vez encarei a 'cena' dessa mesma forma e está a resultar :D sinto-me leve, livre e decidida a mudar o rumo que a minha vida estava a levar. As vozes de que falas são, realmente, uma tentação. Tento falar mais alto, sabes? Dizer-me a mim própria que sou capaz de fazer isto e tudo o que eu quiser. Porque só depende de mim e de ter pessoas como tu a encorajar-me desta forma.
EliminarMais uma vez: obrigada, muito obrigada.
(e vou roubar-te a dica do pudim... vou pesquisar receitas)