Desde muito nova que sou gorda.
Era roliça, quando era mais nova, depois fui ganhando mais peso e passei a ser o que a sociedade entende por ser gorda.
Apesar disso nunca tive problemas na escola primária, no ciclo, no secundário, na universidade... Bom, já entenderam que não tive problemas. Eu. Os outros, se os tiveram, disfarçaram bem pois nunca senti na pele a discriminação ou as palavras más e os olhares de desdém.
Sempre fui gorda mas, presentemente, cheguei a um ponto em que tenho de regredir e não avançar. Tenho de pegar nos olhares que recebo quando vou à praia, por exemplo, nos olhares que recebia quando entrava num café e pedia coisas pouco saudáveis para comer e transformá-los em olhares de mudança.
Se há coisa que têm de ter presentes, os magros, é que nem todos somos gordos porque queremos. Com isto, não me estou a desculpar, atenção.
A minha avó tinha obesidade mórbida, chegou a roçar os 200 kg. Tive e tenho mais casos destes na família. Podia com isso desculpar-me com a genética.
Mas não. Já chegou disso. Já usei essa desculpa vezes demais.
Se hoje sou gorda é porque o permiti.
Porque não cuidei de mim como sei que mereço, porque tive uma alimentação pouco cuidada e porque deixei-me entrar numa espiral de sedentarismo tal que só de me levantar da cama o meu peito doí-a.
Quero alterar o meu estilo de vida, definitivamente e sei que isso demora. Estou disposta a mudar os olhares, não que precise de provar alguma coisa a alguém a não ser a mim mas... Sabem que, mais uma vez, a sociedade não perdoa.
Sou gorda e quero mudar isso.
Mas agradeço por não me excluírem, discriminarem ou tanta outra coisa má que se ouve por aí, só porque estou acima do meu peso ideal.
E lembrem-se: os gordos têm sempre a hipótese de emagrecer.
Já aqueles que nos tratam mal não têm muito por onde se virar em termos de... Carácter. E respeito. Respeito, acima de tudo.
Sejam felizes, gordos e magros e assim-assim! ;)
Beijos,
Pat
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